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Após 371 anos, Santa Casa promove o 1º curso de inclusão digital para funcionários

Hospital promoveu, pela primeira vez, um curso de Introdução aos Sistemas Informatizados, exclusivo para os funcionários deficientes visuais

27/07/2021 às 15h00
Por: Redação ND1 Fonte: Secom Pará
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Foto: Reprodução/Secom Pará
Foto: Reprodução/Secom Pará

Colaboradores da Fundação Santa Casa do Pará, com deficiência visual, em aula do curso Introdução aos Sistemas Informatizados
Colaboradores da Fundação Santa Casa do Pará, com deficiência visual, em aula do curso Introdução aos Sistemas Informatizados - (Foto: Rafaela Soeiro / Ascom FSCMPA)
Pela primeira vez em 371 anos da história da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMP), funcionários com deficiência visual foram capacitados no curso Introdução aos Sistemas Informatizados , exclusivo para pessoas com deficiência (PCDs). Agora, os trabalhadores têm como navegar com autonomia pelos sistemas informáticos do Hospital, em nível de intranet e internet. Até então, ou eles pediam ajuda a colegas frente à necessidade de algumas atividades no computador ou improvisavam adaptações, recorrendo a estratégias como mapas mentais. 

A cerimônia de conclusão do curso Introdução aos Sistemas Informatizados exclusivo para pessoas com deficiência (PCDs) realizou-se, na manhã desta terça-feira (27), no Infocentro da Fundação, com o presidente da Santa Casa, Bruno Carmona, entregando os certificados em braile aos funcionários. 

Os documentos foram confeccionados com a parceria da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves (FCPTN/Centur).  

“Para nós, é uma experiência não só de performance técnica, mas também de valorização do indivíduo e mais um meio de dignidade profissional, porque hoje em dia o acesso tecnológico é fundamental e não faz sentido dependermos de ninguém para procedimentos básicos”, resume o assistente administrativo, Isaías Lopes, que trabalha na Telefonia da Santa Casa. 

Para Bruno Carmona, foi mais uma oportunidade de valorização dos recursos humanos no contexto da tecnologia, com resultado imediato no aperfeiçoamento da própria gestão hospitalar: “Este momento é muito importante não só porque é inclusivo, mas também porque prova o interesse pleno do Hospital de capacitar todos os servidores, na perspectiva interna e externa, para o bem do Hospital e para o bem da população usuária”, declarou. 

Capacitação 

Com aulas ministradas de 19 a 27 de julho pelo analista de sistemas e especialista em Redes Gutemberg João Alvarez, da Coordenação de Sistemas (CSIS) da Gerência de Tecnologia (GTIN), sob uma carga total de 15 horas,  a iniciativa teve a parceria da Coordenação de Desenvolvimento de Pessoas (CEDP), setor ligado à Gerência de Gestão de Pessoas (Gespe).

O treinamento baseou-se em aplicativos específicos de leitura sonora para abordar as ferramentas de todos os sistemas informatizados que movimentam e registram a atuação administrativa e de assistência da Santa Casa, como o Processo Administrativo Eletrônico (PAE) e os softtwares de gestão hospitalar.   

“A partir de agora, os servidores com limitação visual receberão login e senha individuais e poderão transitar e laborar sobre os sistemas de forma independente, como o é com todos os outros funcionários da Santa Casa ocupantes de cargos e funções similares”, esclarece Gutemberg. 

A participação direta dos principais beneficiários de políticas institucionais inclusivas também é uma forma de facilitar o feedback em relação às demandas de adaptação imediata: “É uma troca de perspectivas. Aqui a Tecnologia fica sabendo com precisão o que precisa ser melhorado no nosso campo de acessibilidade”, diz.

Inclusão Digital

A assistente administrativa Lucinalda Caldeira (mais conhecida como “Lucinha”), lotada na Gerência de Diagnóstico por Imagem e Endoscopia (GDIE), salienta que a oportunidade inédita de inclusão digital efetiva abre caminho para toda uma transformação estrutural: “Cada vez mais o cenário se torna a favor de que pessoas com deficiência possam exercer suas tarefas no entendimento de que somos em total competentes, basta dispormos das ferramentas corretas. Eu, por exemplo, sempre me destaquei na produtividade”, contextualiza. 

A agente de artes práticas Graziela Ferreira, do mesmo Departamento, acredita que os funcionários fazem parte do processo inclusivo, porque podem apontar os detalhes e buscar direitos que contemplem de verdade suas demandas: “Nossas funções e nossos projetos não são avulsos. Somos integrantes de uma esfera panorâmica, que deve funcionar para todos”, coloca. 

Continuidade

De acordo com o ministrante Gutemberg, o curso apresentou caráter introdutório, no significado de capacitação continuada e constante, com atualizações e ajustes. “Depois da Introdução, existe um rol de módulos pelos quais vamos aprofundando as habilitações”.

O gerente de Tecnologia da Santa Casa, Gilberto Ramos, explica que a programação é construída coletivamente e respeitando a escuta dos servidores: “Essa primeira ideia surgiu na montagem geral dos planos e dos cronogramas de capacitação, junto com a CEDP. Foi quando identificamos, por exemplo, a necessidade específica desses funcionários e conseguimos ajustar a tecnologia do ambiente, de forma a integrar com eficácia”, detalha. 

 *Texto de Aline Miranda (Ascom / FSCMP).

Por Governo do Pará (SECOM)
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