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Polícia Investigação

ONG dos irmãos Brazão investigada pela CGU fecha contratos milionários com a Prefeitura do Rio

Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano é suspeito de desvio de verbas e recebe mais de R$ 47 milhões em contratos

13/06/2024 às 22h16
Por: Elise Ventura
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Reprodução da internet
Reprodução da internet

Uma ONG ligada aos irmãos Brazão e investigada pela Controladoria Geral da União (CGU) por suspeita de desvio de verbas do Governo Federal fechou contratos milionários com a Prefeitura do Rio.

Poucos dias após a prisão de Domingos e Chiquinho Brazão, por suspeita de serem mandantes da morte da vereadora Marielle Franco, o município renovou um contrato entre o Instituto Nacional de Desenvolvimento Humano (INADH) e a Secretaria de Assistência Social, no valor superior a R$ 1,2 milhão.

Menos de um mês antes, no dia 30 de abril, a organização social firmou um novo acordo com a poder público municipal, por 24 meses, pelo valor de R$ 16 milhões.

De acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura do Rio, entre 2019 e 2023, o município assinou contratos que somam cerca de R$ 47 milhões com o instituto investigado.

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Em maio desse ano,  a revelação que a INADH também era investigada pela CGU por suspeita de usar laranjas. O instituto subcontratou com dinheiro público uma outra empresa, a Globo Soluções Tecnológicas. A reportagem mostrou que Sara Vicente Bibiano, presidente da empresa, não sabia que ocupava um cargo mais importante da instituição.

Apesar de ser representante de uma empresa que fechou um contrato de R$ 650 mil com o Governo do Estado, Sara mora em uma casa humilde. Ela é beneficiária do auxílio emergencial, pago para famílias com renda per capita baixa.

Em um dos contratos assinado com a Prefeitura do Rio, a INADH recebeu o direito de contratar funcionários para o abrigo do município Rio Acolhedor, em Paciência, na Zona Oeste da cidade.

Denúncias e visitas no espaço, mostram que no local, denuncias falam com um morador que reclamou da estrutura do abrigo e disse que é obrigado a sair para buscar água do lado de fora.

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"Você não tem um bebedouro. Você tem que ir até o posto ao lado. Não temos água para beber. A água que temos para beber é a água do banheiro ou a do filtro que nunca foi limpo. Um filtrozinho que a água pinga e suja", comentou Thiago.

Segundo o morador, o abrigo conta com apenas um ventilador e que o local não tem funcionários suficientes.

"Um ventilador para o abrigo inteiro. (...) Ele não atinge nem a parte superior das camas, fica no corredor. É um ventilador para todo mundo usar dentro do abrigo", contou.

Além da falta de estrutura, os moradores também afirmam que sofrem com abusos. Segundo ele, a unidade não tem condições de acolher quem precisa.

"O tempo todo é opressão verbal e ninguém toma uma atitude. Então você percebe, do funcionário mais simples, do faxineiro até a administração, todos são condizentes com a situação. Porque ninguém toma uma atitude, verifica se aquela pessoa tem qualificação para estar aqui. É nítido que nenhum dos funcionários tem uma qualificação básica para estar aqui", disse Tiago Dias.

Desvio de doação

Segundo as denúncias, até as doações que chegam para os moradores são desviadas.

"Quando chega doação meio de emendas parlamentares. São quase R$ 5 milhões entre 2020 e 2022.

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Quem presenteou a ONG com o dinheiro público foi o deputado federal Chiquinho Brazão.

Nas redes sociais do instituto, os agradecimentos aos Brazão são públicos. E o próprio deputado fazia questão de aparecer nos eventos do instituto.

Quem também aparece em vários registros nas redes sociais do INADH é Leo Brazão. Na verdade, o nome dele é Leonardo Rangel de Alencar, mas o articulador político adotou o sobrenome do clã. Na internet, Leo diz ser superintendente da ONG.

Os irmãos Brazão foram presos no dia 24 de março, depois que uma investigação da PF apontou os dois como mandantes da morte da vereadora Marielle franco e Anderson Gomes.

O que dizem os citados

Em nota, a Prefeitura do Rio informou que existem três contratos ativos com o INADH para a contratação de assistentes sociais, pedagogos, psicólogos, educadores sociais e entrevistadores sociais.

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